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O exemplo como valor fundamental para o gestor do programa de qualidade de vida

14.12.2010

Autor: Alberto José Niituma Ogata*

A primeira coisa que você tem que fazer como líder é administrar sua própria energia. Em segundo lugar, você deve orquestrar as energias das pessoas que estão ao seu redor.
Peter Drucker

O número de programas de qualidade de vida nas empresas tem aumentado em todo o país. As empresas e os trabalhadores têm valorizado as ações que melhoram a qualidade de vida e o equilíbrio entre vida pessoal e o trabalho. Na 7.a edição do Guia Exame - As Melhores Empresas para Você Trabalhar, constatou-se que quatro de cada dez profissionais escolheram a possibilidade de ter qualidade de vida como a melhor característica do seu trabalho atual. Surpreende o fato de que as outras opções foram remuneração e benefícios, estabilidade no emprego e desenvolvimento profissional, que são habitualmente mais valorizadas.

Pesquisa realizada por Limongi França na USP e publicada em 2003, envolvendo profissionais ligados à gestão de pessoas revelou que 97% dos participantes acreditam que toda empresa deve ter um programa de qualidade de vida e que as ações são vistas como investimento e que devem ser consideradas como estratégicas para a empresa. Constatou-se ainda que cerca de 90% dos entrevistados acreditam que as ações de qualidade de vida são sempre necessárias no ambiente das empresas e que 85% entendem que os empregados valorizam as ações e programas de qualidade de vida.

Neste cenário, as exigências para os gestores dos programas de qualidade de vida, sejam eles profissionais das áreas de saúde, recursos humanos ou administração, são cada vez maiores. Exige-se elevada capacitação técnica, habilidade em comunicação e criatividade e condições de apresentar resultados mensuráveis, inclusive econômicos, em curto espaço de tempo. Mas, além disso, estes profissionais são observados como um modelo a ser seguido (ou criticado) em qualidade de vida pessoal.

Mas, qual seria o perfil ideal do gestor em qualidade de vida? De acordo a proposta de Donald Ardell apresentada no 19.o National Wellness Conference em 2003, ele se constituiria em 6 elementos: (1) um forte senso de responsabilidade pessoal (2) um estilo de vida saudável (uma combinação disciplinada de atividade física moderada/vigorosa e uma alimentação equilibrada) (3) uma visão positiva e prazer em viver (4) abertura para novas descobertas sobre os significados e os propósitos da vida (5) capacidade e interesse pelo pensamento crítico.

Além disso, acredito que coordenar uma ação ou um programa de qualidade de vida não se constitui numa tarefa administrativa comum, pois envolve a motivação e a adesão dos colaboradores da empresa em um processo de mudança de comportamento. Deste modo, há características pessoais que este profissional deve ter e que deve procurar desenvolver, como ter empatia e atuar sem pré-julgamentos, ser colaborativo e ter atitudes positivas e, principalmente, ser genuíno em seus comportamentos e suas mensagens.

Como está a qualidade de vida dos profissionais ligados aos programas de qualidade de vida? Uma amostra desta realidade pôde ser constatada por uma pesquisa realizada com empresas associadas da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, por Bramante (2004) que constatou que mais de 60% dos gestores de programas de qualidade de vida trabalham mais que 12 horas por dia. Além disso, quase 60% destes profissionais relataram ter menos de 6 horas de lazer por semana.

Devemos considerar que, na maioria das empresas, estes profissionais acumulam a sua tarefa de coordenar o programa de qualidade de vida com outras atividades na empresa, como atuar na área de saúde, benefícios, administração ou recursos humanos. Mas, para estes profissionais, buscar o constante desenvolvimento pessoal, em todas as dimensões (física, emocional, espiritual, social, profissional), deve ter uma importância ainda maior, pois esta tarefa exige um elevado grau de energia positiva, criatividade e autenticidade. Talvez uma boa idéia seja procurar adotar um mentor ou "coach" pessoal que auxilie no desenvolvimento de suas habilidades, potenciais e na harmonização de sua energia vital. Ou então, buscar realizar um planejamento de vida, visando avaliar as dimensões a serem abordadas, visando se atingir um equilíbrio entre elas, inclusive adotando técnicas disponíveis, por exemplo, do gerenciamento do tempo, de relaxamento e meditação, de melhoria das condições físicas ou de envolvimento com atividades culturais e artísticas.

De acordo com Prochaska, criar um estilo de vida mais saudável envolve mais do que modificar um fator na vida. Ele sugere que devemos utilizar nossa energia e nosso tempo em atividades que promovam constantemente o nosso desenvolvimento pessoal. Assim, particularmente para os gestores em qualidade de vida, torna-se fundamental procurar viver intensamente os seus sonhos e aspirações, através de um estilo de vida saudável como meio de preservar os ganhos e promover um crescimento constante.

*ALBERTO OGATA é médico com mestrado em Economia da Saúde pela USP, Diretor da Subsecretaria de Assistência Médico Social Tribunal Regional Federal da 3ª Região e Presidente da ABQV.

Fonte: www.abqv.org.br

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